
Tenho escrito bastante. Publicado pouco. Coisas pessoais, coisas tipo coisas, e coisas do género. O nome mais pomposo que chamaram á minha escrita foi: Prosa Introspectiva Literária. E de seguida disseram que estava no caminho da iluminação. O meu ego ficou todo contente, depois disso segui a minha vida normal.
O “problema” aqui está na definição de normalidade. Ontem uma professora minha disse: “Bem, tu não consegues ter uma vida normal pois não?”. Não acho interessante publicar coisas que escrevo de mim para mim, mas hoje é digno de uma (LONGA)publicação pois os acontecimentos assim o exigem.
30 Setembro 2009 – O dia mais longo e sempre.
Deito-me ás 5 da manhã, acordo ás 6 da manhã, dormi uma hora pois estudei a noite toda para um exame oral. Confesso que foi o exame que mais nervoso me pôs nestes 4 anos de faculdade. Exame oral, 3 júris, em que 2 deles foram os directores da faculdade e o outro a minha professora de diagnóstico.
Era o ponto alto do dia.
Começo da história:
Exame marcado para as 9:00. Vasco na escola ás 8e45. Os directores só chegam ás 10:00. (Yess!! Granda sorte, ainda bem que não estava nada nervoso”)
Duração do exame 1H. O Vasco teve de 1he30 min. Apesar da dureza fui congratulado no fim.
12:00 Almoça com um amigo.
Às 15:00 leva o amigo a casa que já estava com uma certa pressa.
Segue em direcção á praia do Guincho de modo a aliviar a pressão sentida de manhã festejando o facto de ter passado no exame com uma surfada. A meio da Ic19 apercebo-me que esqueci de ir levar um kite a casa do boss dos kites.
Volto a casa, e vou a casa do boss entregar o kite.
Às 17 chego ao Guincho para surfar, as previsões que pareciam boas estavam completamente inesperadas e inéditas. Nevoeiro cerrado, o mais cerrado que já presenciei, apenas se viam 2m á frente. Muita gente a vestir e a despir fatos vindos da água. Todos perguntavam a todos se havia ondas, pois com 2m de visibilidade até descobrir as escadas de acesso á praia era difícil. Aqueço . Entro no mar meio entusiasmado, meio aterrorizado pelo seu barulho. Fico espantado com a quantidade de pessoas a surfar. A cada 2m que remava apareciam mais pessoas. Entrou o primeiro set, levei com todas na cabeça de modo exemplar(!) Surfar assim ou ás escuras era quase o mesmo… Foi uma mistura entre surf, misticismo, medo das ondas, medo de levar com algum surfista a alta velocidade, medo de acertar com o bico da prancha em alguém a alta velocidade, medo de ser levado pela corrente para o meio do oceano, medo do desconhecido entre outros… Todos estes medos numa dose saudável, aquela dose de medo que entusiasma, pois as ondas eram pequenas, de vez em quando lá vinha um set maior… Mas surfar nestas condições sozinho foi mais uma experiência daquelas….. que não se esquece. Uma hora de divertimento e está bom.
Aqui o génio lembrou-se de na zona de rebentação abrir o pescoço do fato para entrar um pouco de água, vem uma onda MUITO maior do que o costume que rebentou mais tarde e exactamente em cima de mim… era de tal maneira grande que parto o shop da prancha, perco a prancha, que foi com a onda até á praia.A cereja no topo do bolo foi perder a chave do carro na rebentação(!!!!!!!!!!!!!!!!!) Por alguma razão nem stressei e estava totalmente descontraído que a iria encontrar. Obviamente que não heheheh.
2he30 depois chega a chave suplente. Em forma de anjo caído dos céus. Mas até este anjo me salvar o coiro ganhei uma experiência invejável em pedir telemóveis emprestados a desconhecidos, foram só 6! Fiz um chikungzinho para aquecer, corri pela praia a lembrar-me daquela mitica frase de um filme “Run Forest run!!!….”
No que toca a pedir telemóveis, a certo ponto já me dava ao luxo de escolher pessoas que sentia que iriam ficar mais de 10 minutos por ali, pois tinha de elaborar um plano de palavras assertivas, ligar, pedir para me ligarem de volta para o telemóvel do desconhecido, explicar onde tinha a chave suplente, irem a minha casa busca-la, e faze-la chegar ao Guincho.
A minha vida nunca foi nem será aborrecida. Gracias ao anjo que apareceu na altura certa. Apesar de não ter prometido qualquer tipo de recompensa, ela foi mais que merecida…
Mal sabia eu que ainda o dia estava a meio….
22:30 recebo uma mensagem do Barradinhas: ” Puto preciso da tua ajuda.”
Para que era a ajuda? Ir a Caxias buscar uma bela KTM 990 Adventure.
À meia-noite em ponto saímos de Lisboa para buscar a mota. Aproveitamos para por a conversa em dia durante a viagem, a paródia foi inevitável. Aqui o génio confundiu Caxias com Cacilhas(!) e quando o génio do Pedro se apercebeu, já íamos a meio da ponte 25 de Abril. Também dá qual é o problema? =) All roads lead to rome….
Depois de ir a Almada dar a volta, lá chegamos a Caxias. Pego na mota que por acaso estava na reserva. Aliás mais do que na reserva, a reserva supostamente dá para 30km e o marcador indicava já 33Km… Medo muito medo… devagar devagarinho vamos à bomba mais próxima. Pimba estava fechada. Seguimos para a próxima e tudo corre bem. Tudo corre bem até chegar á bomba claro, porque ao chegar á bomba o Pedro só se esqueceu da carteira. Eu que apenas estava a ajudar só tinha 2€ na carteira, pois o multibanco tinha ficado em casa, visto que quando saio de casa para surfar não preciso do multibanco.
Qual a única hipótese? Por 2€ de gasolina que não garantiam a chegada a Lisboa. Tendo a mota 2 depósitos foi 1€ para cada depósito. Yeahh!!
Todos contentes e com mais 2€ de gasolina no depósito saímos vitoriosos da bomba. Apenas festejamos a vitória durante 500m pois á frente haviam portagens. O Pedro pára na escapatória antes da portagem, eu paro ao lado dele, olhamos um para o outro e só nos conseguíamos rir. Continuávamos sem dinheiro. Que mais podia acontecer? Nada! Pensávamos nós…. Chegados á portagem é nos dado um papel e explicado como liquidar a infracção. Para festejar o alívio e o fim dos contratempos, saímos da portagem e o Vasco enche-se de felicidade acelerando a fundo na musculada 1000cc. Só sente a tampa do compartimento onde tinha posto a multa a saltar. E com a tampa salta também a multa, a minha carteira e os documentos da mota que passam a alta velocidade pelo meu ombro. Tinha-nos sido avisado que aquela tampa saltava, e que em Marrocos já tinham perdido imensas facturas. Só não avisaram que a aparentemente bem fechada tampa não aguentava a trepidação e o torque da mota, e só se abria a altas velocidades. Resultado: toca de parar no auto-estrada, procurar a carteira, documentos e multa. Tivemos sorte que só não encontramos a multa (Multa de 0.30cêntimos, mas que se não fosse liquidada se transformava em 60€). Aqui não deu para menos, risada total novamente… Agora tínhamos de enfrentar mais 1 dilema. Continuar a arriscar ir a casa e ficar sem gasolina na mota, voltar de com o carro e pedir para eventualmente nos passarem a multa novamente. Ou dar a volta, levar mais 2 multas noutras portagens, e finalmente levar as 2 últimas e tão esperadas multas de modo a pedir uma hipotética segunda via da primeiríssima multa….
Optamos por esta última opção. E não é que o Pedro………. Descarado…….. chega ás portagens intermédias e diz o seguinte ”Boa noite. É para levar 2 multas uma para mim, outra para o meu amigo na mota aqui a trás. Escusa de explicar como funciona, já sei que temos 48h para pagar por multibanco ou 8 dias para pagar nos estabelecimentos da brisa….” A descontracção e naturalidade dele ao dizer aquilo ia-me fazendo cair da mota de tanto rir. Preenchemos a papelada, e não é que quando chegamos á tão esperada portagem final. O Artista explica a situação, ao que a senhora lhe explica que basta ir á Brisa e dizer a hora e a matricula do veiculo que perdeu o papel. Sendo assim pede para levar mais 2 multas pois continuava sem dinheiro (0.30cent novamente). Dá os dados dele, avança, pára o carro, vira-se para trás e diz com a descontracção que lhe é característica: “Vasco pede ai para passar a tua multa, mas para por o número dela por trás” aaaaaaaahahahaha a senhora diz que não. Novamente o artista responde “nahhh esses não já eu conheço! São daqueles não’s que parecem sim’s” Não podia acreditar na lata daquela alma… a senhora riu-se mas manteve a compostura. E azar dos azares o próximo dado que ela teve de me pedir? O número de telemóvel………….. Pronto foi a gota de água para chorar a rir novamente.
E pronto apartir daqui resto da noite até ir dormir foi uma seca:)
P.S. Um dia destes sou capaz de partilhar acerca daqueles dias normais que começo o dia a ser mordido por uma anaconda….
Oh Vasco, fiquei cansada só de ler a tua história. Acho que não podia acontecer-te mais nada..Mas devo dizer que reagis-te muito bem!:P
Por: Maria Joao em Outubro 14, 2009
às 8:44 pm
Pois.. ao escreve-la senti logo que era maçuda de ler. Mas decidi escrever na mesma para quando for velhinho lembrar de quase tudo hihih
Por: Vasco Santos em Outubro 14, 2009
às 11:24 pm
Bom voltar… Abrir o teu blog, depois de dois meses, e ver que a tua vida afinal continua Normal
Viver assim nao cansa…
É a tua normalidade! E não é maravilhosa?
Cansa ler… Mas nao cansa viver
Até breve!
Beijo
Por: Tatiana em Novembro 3, 2009
às 9:48 am