Mundos paralelos.
Hoje estou numa de voyeurista. Da vida.
Se há uma coisa que dou valor é a chegar a velhinho e estar feliz. Não ser rabugento. A vida é difícil ok. Mas nós podemos escolher como a queremos encarar. Pode soar um pouco drástico, mas basta falar com uma pessoa ao calhas, e a probabilidade de em 5 minutos estar a lamentar-se de algo é altíssima. Todos tem algo para se lamentar, quase todos querem um bocadinho de miminhos, nem que seja serem ouvidos, esta última semana no consultório só estive com pessoas que apenas queriam ser ouvidas, ter ali o seu momento. Gosto desta profissão, apesar de achar que preciso de mais maturidade, de experiência de vida para não encher o saco… encho o saco de problemas dos outros.
No geral, olhando á minha volta, que para mim é a mais importante experiência de todas( que se lixem os livros…) vejo pessoas preocupadas com coisas, vejo pessoas infelizes com o seu trabalho, com a sua vida, com o seu estilo de vida. Talvez as pessoas que mais vejo são pessoas que nem sequer têm consciência disto. “A vida não é só prazer” dizem os mais velhos, ou melhor, dizem as raposas velhas. São estas mesmas pessoas que se lamentam a vida toda, que já lhes fizeram tanto mal que andam sempre á defesa. È tão importante para mim não vir a ser assim. È como se a escala de valores estivesse toda baralhada…
Às vezes não sei se admire pessoas com profissões simples, ou pessoas com profissões que exigem altos níveis de complexidade. Já cheguei várias vezes à conclusão que o que a pessoa faz (profissionalmente) não é assim tão determinante para saber realmente como a pessoa é. A sua personalidade, a sua natureza é o mais importante, os seus valores, as suas crenças. Cada pessoa tem as suas crenças que adquiriu na infância, disso há certeza.
“A iluminação atinge-se nas tarefas do dia a dia, por isso é tão difícil de alcançar.”
Um advogado lida com pessoas maldosas, mentirosas, é um mundo de mentira, dinheiro, interesses. É impossível estar tanto tempo a pensar neste tipo de acções sem que elas num momento ou noutro se façam transparecer na vida pessoal. A experiência de vida de um advogado é diferente da de um médico. Estes passam a sua vida a lidar com pessoas doentes, a reflectir sobre o que deu origem é doença, o porquê de estarem assim. E obviamente por terem uma consciência tão real da fragilidade humana tem receio pelos seus. Há também os psicólogos, que admiro bastante, estes tentam analisar o que está por de trás dos actos das pessoas, tudo tem a ver com acontecimentos da infância, dos pais, das vivências nos primeiros anos de vida que se reflectem no presente, de modo a conheçermo-nos melhor como pessoas conseguir entender e superar os pequenos problemas da vida, e principalmente ajudar os outros. Os psicólogos, esses sim trabalham com o que incomoda toda a gente sem excepção. Os sentimentos. Apesar de que nem toda a gente está preparado ou tem a coragem de explora-los de modo a desaparecerem, pois é a única maneira.
Não desvalorizo os problemas de nenhuma profissão, sinto é uma admiração superior pelas profissões que lidam com a essência base do ser humano. Tendo sempre em conta que todos fazemos parte de um macrocosmos.
Estou empenhadíssimo em descobrir e perceber como é o mundo de um economista. Esses admiro-os por uma razão totalmente diferente. Era incapaz, repito incapaz de estar fechado num escritório 8horas por dia a lidar com números, computadores, folhas, etc mesmo que isso se reflicta na prática, e tenha consequências reais. Aos que fazem isso com gosto tiro-lhes o chapéu… Por outro lado preocupo-me pois estes são os que tem mais tendência a negligenciar as bases da saúde como o stress, as horas de sono, o descanso, etc em prol do ordenado, do patrão, da empresa, aqui algo está mal.
“Perguntaram ao Dalai Lama:
- O que mais te surpreende na Humanidade?
E ele respondeu:
- Os homens… Porque perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem dinheiro para recuperar a saúde.
E por pensarem ansiosamente no futuro, esquecem do presente de tal forma que acabam por não viver nem o presente nem o futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido.”
Às vezes questiono-me do porquê de pessoas fazerem certos sacrifícios, batendo novamente na mesma tecla… a maior parte nem sabe que o que faz é penoso, pois já é o hábito, muitos não sabem o que andam a perder. Tenho andado a pensar nisto, nas escolhas que fiz, nas escolhas que os outros fazem e como isso influencia a sua satisfação pessoal, e o mais importante, a longo prazo no que irão esses actos resultar?E no fim disto tudo, para quê estes pensamentos e esta conversa toda?Para estar feliz. Como diz um sábio amigo meu: “Cada um sabe de si… Se não pedir ajuda.”
Acho extremamente importante aprender com os outros, principalmente os bem sucedidos pessoalmente de preferência que tenham conseguido chegar a uma idade respeitável. Por outro lado, conheço algumas excepções que em 30anos já fizeram mais do que muitas de 50…
Muitas vezes questiono-me porque faço tanto desporto, e até me culpo porque poderia estar a fazer algo(…).A verdade é que me dá uma satisfação incomparável. Mas há outras vezes como agora que estou convencido que conseguindo conciliar o desporto a uma profissão de destreza física ajudando directamente com as mãos os outros estou no caminho meu caminho que só pode ser o certo. Tantos anos a treinar desportos, tantos anos com a mente entretida acerca de maneiras de melhorar a performance… Finalmente chegou a altura de utilizar este tipo de destreza e conhecimento para ajudar os outros. Dia 03.05.2010 é o grande dia. Espero conseguir…
